quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Os moradores da ilha do Farol

O Atol das Rocas possui duas pequenas ilhas de areia, uma menor chamada Cemitério e outra que abriga a estação científica: a ilha do Farol. A segunda é repleta de moradores de todos os tipos, onde as aves trinta-réis são as que mais se destacam.
Ilha do Farol, cortada pela Baia da Lama, abrigo de pequenos tubarões
Aproximadamente 100 mil dessas barulhentas criaturinhas ocupam o atol. Cada uma tem seu espaço definido e se o vizinho tropeçar e invadir a casa alheia é logo expulso sob gritos e bicadas.
Trinta-réis-do-manto-negro (Onychoprion fuscatus)

As viuvinhas preferem ficar próximas as vegetações e nos arredores da estação científica. Com semblante concentrado e olhar arisco elas estão quase sempre em silêncio, quebrado apenas nos rituais de cortejo e quando protege seu ninho. Já as viuvinhas negras costumam permanecer em grupo nas proximidades das ruínas e a noite descansam nas placas solares.
Viiuvinha marrom (Anous stolidus)

Viuvinha negra (Anous minutis)

As três espécies de atobás se diferenciam bastante tanto no fenótipo quanto no comportamento. O branco é o que fica mais próximo da estação científica, ocupando pontos dispersos no ninhal da ilha. Assim como outras aves, quebram a monotonia do dia coçando os teimosos carrapatos com auxílio do grande bico e patas. Os atobás de patas vermelhas estão em menor quantidade e imperam nos poucos coqueiros da ilha do Farol. Já o atobá marrom gosta de voar em bandos e passa o tempo nas ruínas do farol, mas preferem a ilha do Cemitério! Um ou outro que não gosta de pescar invade o ninhal para se alimentar de filhotes de trinta-réis.
Atobá de patas vermelhas (Sula sula)

Atobá branco ou mascarado (Sula dactylatra)

Atobá marrom (Sula leucogaster)

Outras aves que não nidificam na ilha (fragata, maçaricos, garças ...) sempre dão o ar da formosura para descanso e alimentação. 
Dentre os crustáceos, três espécies principais ocupam parcimoniosamente esse paraíso arenoso. Os aratus, que exibem vermelhos exuberantes, são ariscos e quase sempre estão em grupos. O Jeca passa o dia relaxando sob qualquer tipo de substrato e no final da tarde sai para se alimentar. Oportunista, ele come praticamente quase tudo que é orgânico e se ovos de aves ou filhotes de tartarugas bobearem, caem nas quelas desse bicho “come quieto”. Abrigadas nas tocas construídas acima da linha da maré, as lindíssimas marias-farinha se protegem da luz do dia, saindo apenas após a despedida do sol. Curiosas e medrosas correm rapidamente para o mar ao primeiro sinal de perigo, deixando apenas os vultos de suas patas apressadinhas.
Aratu (Grapsus grapsus)

Maria farinha (Ocypode quadrata)

Jeca (Johngarthia lagostoma)
Outros habitantes menos conspícuos sempre aparecem na ilha principal, dentre catitas exóticas, gafanhotos, formigas, tesourinhas, escorpiões, baratas e diversos pequenos quase notáveis.
E a cada temporada o bicho homem também ocupa a ilha do Farol. Eles normalmente desenvolvem pesquisas científicas em prol da conservação e proteção dos demais moradores dessa rara formação do Atlântico Sul. Aqui, como os demais, eles são parte do ecossistema, seguem o ritmo imposto pelo mar, ventos, ondas e animais. Voltam no tempo para readaptar-se a um ambiente onde não há espécie soberana, apenas indivíduos interagindo conforme as leis estocásticas da natureza.

Equipe mais que entrosada (Eu, Zar, Zelinha, Marcelo e Felipe)

Parceria! =)

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