segunda-feira, 15 de julho de 2013

Rumo à ilha de pedra

Na tarde de terça-feira, 9 de julho de 2013, partimos do porto de Natal no Transmar III, um pequeno barco pesqueiro que se estende por 19 m, rumo à minúscula ilha de pedra no meio do Atlântico. A viagem teria uma parada em Fernando de Noronha, para o embarque da Patrícia, última pessoa a compor a equipe de quatro pesquisadores da expedição 382, juntamente com Gustavo, Carlos e eu. Até lá o tempo estava fechado, horizonte contorcido, o mar inquieto parecia reagir a nossa ansiedade e judiava da embarcação com fortes balanços e ondas quebrando a estibordo. Pelo caminho golfinhos, peixes voadores e diversas aves rompiam a tensão e monotonia da viagem.
Beliche dos tripulantes do Transmar III. Aconchegante de um jeito diferente.

Na madrugada de quinta-feira chegamos a Noronha, ilha completamente envolvida pela neblina que nos seguia e acometida por uma chuva fina, indecisa se caía ou ia embora. Pela manhã embarcamos todos, agora a navegação fluía, o tempo colaborando com nossa impaciência. O céu nos parecia íntimo, desnudo e colorido. Tudo corria bem até que na manhã do sábado, a 70 milhas do nosso destino, a bomba do motor resolver estourar, e junto com ela nossa esperança de desembarcar naquela noite. Foram 13 horas à deriva, até a chegada do Transmar I, que estava na ilha de Pedra e voltou para nos rebocar! As horas dobraram suas durações, o corpo rejeitava a desconfortável cama, a mente recusava leituras, nada para fazer a não ser contemplar a corrente brincar com o pequeno barco.
         
                                       Reboque do Transmar III a 0°01' N 30°25' W

Durante a deriva os dourados mordiam as iscas.


Esperar...


Faltando 9 milhas para chegar na ilha, apertávamos os olhos para visualizar um ínfimo ponto de luz emitida pelo farol e que se perdia no horizonte. Finalmente às 20h30 do domingo, depois de 6 dias e 5 noites, o Transmar III navegava nos arredores do Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Enquanto o bote que dá acesso à ilha percorria o caminho entre o barco e o píer da enseada, todos aguardavam o desembarque em silêncio. Um silêncio que bradava alto o desejo dos quatros pesquisadores por terra firme e que estampava a nova lição de paciência e respeito imposta pelo oceano Atlântico.

5 comentários:

  1. Muito Iradis Fran !
    Obrigado por escrever-nos isso.

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  2. Nau a deriva!
    13 horas? :o
    Incrível, Fran!

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  3. Nossa querida que fantástica essa sua trip! Muito 10...

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  4. E eu que pensava que só o Transmar I que quebrava desse jeito! Ficamos quase 12 horas à deriva, só que foi na volta pra casa... Ainda bem que íamos ficar em Noronha!! Boa estadia Fran! E continue atualizando o blog!

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