sábado, 16 de março de 2013

Há tempo




Então, o tempo! A quarta dimensão no tecido do cosmo, o mais implacável e persistente dos companheiros. O tempo que constantemente oscila sua duração de acordo com nossas ocupações, mesmo parecendo uma unidade imutável. Incessantemente provoca o intemperismo químico, mecânico e espiritual de nossas vidas, formando belas e erodidas paisagens do saber.
Na sua dualidade, o tempo alimenta a saudade, enquanto esclarece as dúvidas; é amigo da diversão e inimigo do tédio; ordena fatos, ao passo que desorganiza realidades; molha mesmo quando não chove e colore dias nublados. Ele, que quando infantil demora, ao passar dos anos, relativiza-se como efêmero, esvaindo-se do nosso controle.
Há quem tente enganá-lo, matá-lo, deixar que passe despercebido, mas ele sempre está por perto, segurando nossa mão em direção à linha de chegada.
Dizem os mais antigos amigos do tempo que ele é remédio, que cura desilusões e desafetos com doses infalíveis de conformidade e que de bônus te ensina como não mais adoecer.
Na ciência é uma grandeza física definida de forma controversa. Na vida se expressa materialmente na forma de cada linha que vai surgindo nos nossos rostos, deixando marcas de histórias jamais esquecidas.



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