domingo, 9 de setembro de 2012

A rotina da ilha


A ilha da Trindade é gerida pela Marinha do Brasil. A cada 2 meses há uma troca de militares, os quais são responsáveis pelo funcionamento de cada detalhe antrópico desse lugar. De certa forma, os civis da ilha (Jaciana e eu) seguem tal rotina militar que prioriza obediência e hierarquia.
Os primeiros militares têm que estar de pé antes das 6hs para preparar o café da manhã dos 44 habitantes provisórios do POIT (posto oceanográfico da ilha da Trindade). Pão, queijo, leite e café são servidos das 7 às 8hs da manhã e partir de então se iniciam as atividades militares na ilha. Cada marinheiro assume a função que lhe compete para que tudo esteja sempre impecável.
Quando o mar está favorável, ainda pela manhã, uma equipe de mergulhadores da marinha e nós civis saímos de bote para desenvolver nossa pesquisa. Dependendo do vento a gente escolhe a praia, faz os mergulhos e registra os dados do nosso trabalho.

Equipe de mergulho de volta pro POIT depois de um dia de trabalho.
Detalhe, eu pilotando o bote! =)


Equipe TUBARÃO!

O almoço é servido das 11 até 13hs, por ordem dos que estão em serviço. Depois de um pequeno descanso todos voltam à rotina até às 15hs, quando se encerram as atividades. Pontualmente às 17hs o jantar é servido e quando o relógio marca 21hs mais uma refeição é disponibilizada para garantir um sono livre de roncos no estômago, a ceia.
Quarta-feira é dia de X-POITÃO, um jantar “diferenciado” que pode ser sanduíche ou pizza, acompanhado de refrigerante, artigo raro na ilha! 
Militares e civis no refeitório no dia do X-POITÃO
Já a sexta-feira é dia de churrasco, ocasião mais esperada e despojada da semana. Muita carne e cobiçadas latas de cerveja (2 por pessoa) fazem a alegria da galera do POIT.
Churrasco com direito a gaúcho no comando
Aproveitando a rara cerveja na ilha

A experiência de vivenciar o militarismo, que sempre foi tão distante das minhas pretensões, é muito rica. A todo momento aprendemos sobre mecânica, enfermagem, culinária ... e, principalmente, disciplina! E embora tudo isso pareça contraditório com a naturalidade da ilha, tal rotina é essencial para a proteção desse paraíso tão frágil.

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