sábado, 23 de junho de 2012

Quando surge a chuva...

...As nuvens descem de encontro à serra e sutilmente a encobre por completo, como se fossem velhos amigos que há muito não se viam. Caem as primeiras gotas e logo sobe um delicioso cheiro que vem do encontro da água com a pedra quente. Um cheiro que tem nome, que tem poesia, o "perfume de Nossa Senhora".


As mães chamam as crianças para dentro de casa, que em meio a saltos e gritos entram contrariadas e salvas do estonteante aroma que dizem provocar resfriado. As beatas rezam para que não seja apenas um "sereno" e sim um prolongado presente de São Pedro.


Quando a chuva ganha força, uma verdadeira festa se instala nas ruas. As crianças escapam de casa e correm em todas as direções, sem saber para onde ir ou sob qual "bica" se banhar. Algumas mulheres surgem com vassouras para lavar a calçada, enquanto outras se apressam com baldes e panelas para "aparar" aquela água tão rara que, segundo dizem, remove as manchas mais teimosas dos tecidos brancos.


Os homens ficam concentrados tentando esconder tamanha euforia. Olham toda aquela água e pensam no açude, na lavoura, no futuro.


Lentamente as nuvens se despedem, revelando a bela capelinha da serra e deixando apenas algumas poças nas ruas, onde as crianças inocentemente brincam com seus barcos de papel.




É assim quando chove em Parelhas.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Amor vira-lata

Menos amarras, mais amores!


"Me dê sua pata peluda vamos passear, sentir o cheiro da rua"



Música: Vida de cachorro
Composição: Arnaldo, Sérgio e Rita
Álbum: Mutantes e seus cometas no país de Baurets, 1972

Se eu não fosse eu morreria de inveja de mim


Chamava-se Paloma. Muito racional e cética, tinha qualidades e defeitos como todos, porém invejava qualidades que lhes faltavam. Criou a fantasia de um ser perfeito composto pelos atributos de seus adjacentes, como por exemplo, os belos seios da Mel.

Mel, sedutora e dona de belos seios. Sentia-se, algumas vezes, incomodada pelo fascínio que provocava nos arredores. Queria fugir e mergulhar em mares de doçura e sutileza. Queria ser meiga, como a Catarina.

A meiga Catarina pecava nas paixões. Doava-se, vivendo contos de fadas unilateralmente. O” felizes para sempre” terminava antes do “foi bom pra você?”. Cansada de desilusões, ela busca eternamente uma Paloma dentro si.
...
Três mulheres perfeitas aos seus modos e insatisfeitas nos seus mundos.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

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Depois de três anos retomo meu blog sob nova alcunha.
Nesse espaço serão compartilhados os mais diversos temas, desde ciência, passando por artes, até chegar nas gostosas bobagens do dia a dia.

De boas vindas fiz um poeminha brega, mas traduz o espírito desse espaço.

Entretanto, mar
Entre tantos mares
Dentre tantos males
Sempre amar um tanto
Sem marear, no entanto
Adentre-se nesse mar


françoise lima