quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O último mergulho

Foto: Andre Seale

Nossa última aventura subaquática aconteceu nos arredores do rochedo, onde existe uma forte corrente e alguns animais de grande porte. Começamos pelo Cabeço das Tartarugas, um amontoado de rochas submersas a aproximadamente 12 m da superfície. Lugar divino, colorido e quase inacessível para o mergulho em apnéia.
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Ainda assim nos aventuramos na difícil descida e à medida que eu me afastava da superfície, a paisagem tornava-se deslumbrantemente mais nítida, mais bela e mais aconchegante para as imbricatas (tartarugas de pente). Nesse momento queria esquecer a falta de oxigênio por uns minutos para poder tranquilamente contemplar aquela formação rochosa torneada por abismos de intrigante tom azul e desfilar espontaneamente junto das cinco tartarugas que ali passeavam.
O cardume amarelo de tesourinhas contrastava com o forte azul do mar e juntamente com o verde das caulerpas conferiam a COR que refletia a harmonia e a paz daquele pedaço de mundo (quem dera nos espelhássemos nesses pequenos e felizes convívios, juntaríamos as cores e faríamos delas um único TOM). Dentro do bote seguíamos em direção ao horizonte em busca dos golfinhos e às nossas costas a ilha ia lentamente diminuindo como se cedesse nossa admiração inteiramente ao mar. Infelizmente não encontramos os simpáticos cetáceos, mas na volta, ao redor do barco, nos deparamos com uma linda raia manta e suas rêmoras oportunistas. Ela nadava lentamente e ignorava nossa presença, nos deixando aproximar sem fazer cerimônias com tamanha tranquilidade que parecia até que nada naquela imensidão abalaria sua paz. E com um longo e veloz passeio, no qual o bote, muitas vezes, parecia voar, finalizamos nossa convivência com os seres marinhos insulares e trazendo conosco toda aquela peculiar simplicidade que os torna tão complexos.