sexta-feira, 31 de julho de 2009

A tecnologia a favor do amor



Uma ferramenta cibernética, embora aparentemente inimiga da naturalidade que ronda esse lugar, tem sido crucial na manutenção de um contato deveras necessário.

Quando partimos de um lugar deixamos sempre um ponto, no qual metade de si insiste em manter-se concentrado. Esse magnetismo te atrai como um ímã e te faz pensar no quanto a distância pode ser corrosiva e quanto de coragem é preciso para se desvencilhar de parte de sua alma. Dessa forma, letras aglomeradas percorrendo fios imaginários te afagam, tranquilizam e até perturbam, fazendo com que as duas partes de si permaneçam, virtualmente, conectadas. É assim mesmo, de fato o amor não se desmembra, por isso que é tão nocivo quando se alia à distância, testando a força de corações aflitos. Porém, impetuoso, transbordará no paraíso!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Pintada moréia Pintada...



A moréia é que é feliz. Habita belas águas e afasta visitantes.
No seu reduto ela é soberana e ali, introspectiva, ela preenche seus dias com solidão.

A moréia é que é feliz, indubitavelmente!

O Arquipélago São Pedro e São Paulo

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A nova rotina



E o primeiro dia na ilha nasce com todo esplendor. Um novo cotidiano agora se faz presente. Os afazeres do Laboratório de Biologia Pesqueira, no continente, agora dão lugar às tarefas "da pedra" como limpeza de placas solares (absurdamente cagadas), medição de lagostas (no barco), fabricação de água doce (dessalinizador) dentre outras...
A enseada já tem cara de convite, um convite para um fabuloso mergulho acompanhado por vários cangulos, ciliares, barracudas, tartarugas, donzelinhas e uma infinidade de simpáticas criaturas marinhas. As verdes caulerpas e seus movimentos impulsionados pelo rumo das águas refletem a sincronia dessa peculiar região.
A presença dos pescadores nas atividades da ilha é fundamental. Eles são os mecânicos, eletricistas, pedreiros, cozinheiros e além de tudo, uma diversão à parte. Todas as manhãs eles trazem a alegria do barco para a Pedra, sempre providos de lagostas, peixes e uma 51 para a "social matinal".
E o Baby? Nosso filhote de atobá adotivo, abandonado pela mãe depois de ser carregado pelas ondas. Sim, interferimos na lei natural da vida atobense em prol da tentativa de manter uma nova vida com um significado especial na ilha: superação, interação, companheirismo e auxílio, tudo o que é preciso para uma estadia saudável num lugar tão pequeno e inóspito.
A noite os ventos e o mar não calam, embalando nosso sono e nos dando energia para encarar um novo dia e novas experiências.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A partida


No dia 15 de julho às 16 horas três pesquisadores embarcavam no Transmar II rumo ao Arquipélago São Pedro e São Paulo (ASPSP). Até esse momento eu nem imaginava que os próximos 1010 Km seriam de mar conturbado, inquieto. As águas verdes que margeiam a Cidade do Sol foi dando lugar ao forte azul do alto mar, onde o horizonte é o único limite visível.
O mau-estar e a dificuldade de se alimentar no pequeno barco pesqueiro aliava-se à ansiedade, o que tornava a viagem interminável. Sobre o mar, solidão, apenas alguns peixes-voadores eram avistados naquele azul colossal e de resto, só um silêncio quebrado pelo barulho do motor da embarcação. Um lugar no qual é possível se ter uma idéia de quanto somos pequenos aos olhos do universo e ao mesmo tempo refletir que o futuro de muito daquilo depende de nós. Mas que paradoxo!
Finalmente, após cerca de 80 horas de dança marinha, um pequeno ponto de luz foi avistado às 20 horas do dia 18 de julho.
À medida que o bote que dá acesso à ilha foi se aproximando do nosso destino, o cheiro de guano foi ficando mais forte e o sentimento de alívio também. Muitas coisas mudaram na ilha, a casa não era a mesma, havia mudado de posição e agora estava bem maior. Mas o encanto do lugar ainda prevalecia e com todo entusiasmo, fomos recebidos pelos fiéis moradores do ASPSP, os atobás. Um bolo estava à nossa espera, juntamente com os quatro pesquisadores cariocas que rendemos na Estação Científica.

Com o corpo firmado e a mente ainda tonta respirei aliviada, finalmente sã e salva na Ilha de Pedra.